Total de gastos ainda está 47% abaixo do período pré-confinamento

Total de gastos recupera cinco pontos base em maio mas permanece bastante abaixo do registado nos dois primeiros meses do ano.

4 Junho 2020

Total de gastos ainda está 47% abaixo do período pré-confinamento

A reabertura gradual da economia não teve um efeito significativo no total de gastos registados no último mês. De acordo com a primeira edição do Tendências de Consumo do UNIDO, o volume de gastos totais – que inclui, além das compras com cartão, também os levantamentos em ATM, débitos diretos em conta (como hipotecas, créditos, seguros, etc), pagamento de impostos, comissões e juros, e transferências associadas a pagamentos – recuperou, em média, cinco pontos base em maio, face ao registado durante o período de confinamento. Apesar desta recuperação, permanece 47% abaixo da média semanal registada nos dois primeiros meses do ano.

O UNIDO é o agregador financeiro do banco WiZink e conta atualmente com mais de 18.000 utilizadores. Trata-se de uma aplicação que permite juntar todas as contas de particulares e cartões numa só app, ajudando os utilizadores a controlar e a gerir o seu dinheiro de forma mais fácil.

Através da categorização das despesas mensais dos seus utilizadores, o UNIDO permite observar as tendências de consumo no consumidor final, de forma contínua e consistente, apresentadas agora no primeiro boletim de Tendências de Consumo. Toda a informação é recolhida, processada e apresentada, garantindo o total anonimato dos seus utilizadores.

Depois de registarem as quebras mais acentuadas durante o período de confinamento, entre 70% e 80%, restauração, vestuário e beleza são agora os setores que mais recuperam. Só na última semana, o setor da beleza recuperou mais de 20 pontos base face à quebra média registada durante o confinamento. No mesmo período, restauração e vestuário recuperam 17 e 13 pontos percentuais, respetivamente. Nota ainda para o consumo no setor da cultura, que encerra maio a subir 14% face ao período de confinamento, quando chegou a valores nulos.

Mas foram as categorias de perfil tecnológico aquelas que melhor resistiram ao encerramento da economia.  Destaque para as categorias de eletrodomésticos e computadores e de jogos e consolas, cujo consumo foi mesmo superior ao registado nos dois primeiros meses do ano, chegando a subir quase 50% durante o período de confinamento. Enquanto os eletrodomésticos e computadores mantêm a resiliência nos padrões de consumo no último mês, os jogos e consolas registam uma quebra acentuada com o relaxamento das medidas de confinamento.

Já as despesas com supermercado mantiveram um perfil de consumo relativamente inalterado durante o período de confinamento, com uma quebra residual média de 8%, depois de registarem uma procura anormalmente elevada na semana em que foi declarado o estado de emergência, bem como na anterior (a par com farmácia e beleza). O consumo de combustíveis, que chegou a cair quase 80% na semana de 12 de abril, recupera em maio, e situa-se agora perto dos 50% face aos valores registados no período pré-confinamento.